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ToggleOutubro abre a temporada de temporais no Norte do Paraná, e é nessa época que mais aparece inversor queimado em sistema fotovoltaico. O componente que decide se o equipamento passa pelo verão inteiro é o DPS para energia solar, o dispositivo de proteção contra surtos. Um estudo divulgado na semana passada, apresentado no ICLP 2026, no Japão, mediu o tamanho dessa diferença em laboratório, e o resultado vale para quem já tem placa no telhado e para quem ainda vai instalar.
O que o estudo sobre DPS para energia solar mediu
A Universidade de Pernambuco (UPE), em parceria com a CLAMPER, testou três modelos de inversor de 5 kW entre os mais vendidos do Brasil. Os equipamentos receberam pulsos de corrente de até 20 kA, simulando surtos de descarga atmosférica, com e sem DPS externo. Os números foram publicados pelo Canal Solar em 1º de outubro.
- Sem DPS externo: os inversores falharam, em média, depois de 6,9 pulsos no lado CC e 4,8 pulsos no lado CA. Alguns modelos não passaram do segundo pulso.
- Com DPS externo: todos suportaram os 100 pulsos aplicados, que era o limite do ensaio.
- Energia desviada: o DPS externo tirou do caminho do inversor entre 80,8% e 96,8% da energia do surto.
- Custo: no primeiro estudo da mesma parceria, com inversores de 3 kW, os DPS usados custaram menos de 8% do preço do inversor mais barato testado (artigo UPE e CLAMPER, ICLP 2024).
Dois cuidados na leitura. É um ensaio de laboratório, e o número exato de pulsos muda com o modelo do inversor e com o raio real. E o estudo foi feito em parceria com um fabricante de DPS. A conclusão principal, porém, coincide com o que as normas brasileiras já pedem: a proteção que vem dentro do inversor não substitui a proteção externa.
Por que o Paraná precisa levar o DPS para energia solar mais a sério
Em número absoluto de raios, Amazonas, Pará e Mato Grosso lideram. Quando a conta é feita por quilômetro quadrado, o Paraná aparece em primeiro lugar no país, segundo levantamento com dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica do INPE de 2018 a 2022 divulgado pela Agência Brasil na Exame. Mais raio por área significa mais surto chegando pela rede da distribuidora e pelos cabos que descem do telhado.
O raio não precisa cair na sua casa. Uma descarga na rede de distribuição ou num poste da rua já induz sobretensão que entra pelo lado CA. Os cabos CC que ligam os módulos ao inversor ficam expostos no telhado e funcionam como antena para descargas próximas. Por isso o surto chega pelos dois lados.
A proteção interna do inversor não basta
Muitos inversores informam proteção interna contra surtos, e isso leva instalador e cliente a dispensar o DPS externo. O componente interno existe, mas é pequeno. Quando uma corrente de surto alta passa por dentro do inversor, ela gera tensões residuais e campos eletromagnéticos que atingem a eletrônica ao redor. O DPS externo resolve isso desviando o surto para o aterramento antes que ele entre no equipamento.
As normas ABNT NBR 16690 e ABNT NBR IEC 61643-32 tratam da proteção contra surtos em arranjos fotovoltaicos, nos lados CC e CA. Nenhuma norma dispensa a análise de proteção externa só porque o inversor declara proteção interna.
Não sabe se o seu sistema tem DPS? Mande uma foto do quadro do inversor e da string box pelo WhatsApp (44) 99881-5835 e um engenheiro da S2V diz o que está faltando.
Inversor queimado por raio: quem paga
Em geral, não é o fabricante. Os fabricantes tratam surto elétrico como evento de causa natural, fora da garantia, como registra este artigo publicado no Canal Solar por um engenheiro da própria CLAMPER. Na prática, a garantia do inversor não cobre o equipamento que queimou no temporal.
Quem paga é o dono do sistema, a não ser que exista seguro com cobertura de danos elétricos. Vale ler a apólice da casa ou da empresa antes do verão. Explicamos como funciona o seguro fotovoltaico no post sobre painéis solares e granizo. Lembre também que inversor parado é geração perdida, e cada semana sem gerar entra na conta.
Como saber se o seu sistema tem DPS
Conferir o DPS para energia solar do seu sistema leva poucos minutos. São cinco pontos:
- String box ou quadro CC: é a caixa entre os módulos e o inversor. Dentro dela deve haver DPS próprio para corrente contínua, com tensão compatível com a tensão máxima das strings.
- DPS no lado CA: fica no quadro de proteção na saída do inversor ou no quadro geral. Sistemas sem nenhum DPS CA ficam expostos aos surtos que vêm da rede.
- Indicador de estado: boa parte dos DPS tem uma janela que muda de cor quando o elemento já atuou e perdeu a capacidade de proteger. Depois de temporal forte, confira. DPS com a janela vermelha está ali só de enfeite.
- Aterramento: o DPS manda o surto para a terra. Sem aterramento adequado e sem equipotencialização entre estrutura dos módulos, inversor e quadro, o surto não tem para onde ir. Detalhamos isso na página de SPDA e aterramento em Maringá.
- Diagrama do projeto: peça ao instalador o diagrama unifilar e a especificação dos DPS. Se ninguém sabe dizer qual DPS foi usado e onde, trate como se não existisse.
O Portal Energia Limpa fez a mesma recomendação ao repercutir o estudo: o dono do sistema deve pedir o diagrama completo e conferir se os DPS existem e estão bem dimensionados. Esse cuidado também aparece no nosso guia sobre como escolher uma empresa de energia solar.
DPS para energia solar não substitui o SPDA
São proteções diferentes. O SPDA, o para-raios, protege a edificação contra a descarga direta. O DPS protege os equipamentos contra o surto que chega pelos cabos. Uma construção com SPDA e sistema solar precisa dos dois, coordenados, com DPS adequado na entrada de energia. A análise de risco da ABNT NBR 5419 define quando o SPDA é exigido e qual nível de proteção usar.
O que fazer agora, na prática
- Residencial: abra a string box e o quadro do inversor, ou peça para alguém habilitado abrir, e veja se há DPS dos dois lados e se os indicadores estão verdes. Confira a apólice do seguro. Se o sistema foi instalado sem DPS para energia solar, a correção costuma ser simples e custa uma fração do inversor. Veja mais sobre energia solar residencial em Maringá.
- Comercial: inclua a inspeção dos DPS na manutenção preventiva antes do verão e depois de cada temporal forte. Inversor parado em loja ou escritório significa conta cheia até a troca. Saiba mais sobre energia solar para empresas.
- Industrial: com vários inversores e cargas sensíveis, a proteção precisa ser coordenada entre entrada de energia, quadros e usina, com medição de aterramento. Surtos e distúrbios na rede interna também aparecem numa análise de qualidade de energia.
- Agronegócio: propriedade rural tem rede longa e exposta, usina muitas vezes em campo aberto e cabos CC compridos. É o perfil mais exposto. Vale DPS nas duas pontas dos trechos longos e na entrada de cada galpão com equipamento sensível. Veja a página de energia solar rural.
Revisão de proteção com a S2V Engenharia
A S2V revisa a proteção de sistemas fotovoltaicos em Maringá e no Norte e Noroeste do Paraná, inclusive de sistemas instalados por outras empresas. Conferimos o DPS para energia solar dos lados CC e CA, o aterramento e a equipotencialização, e entregamos o que precisa ser corrigido, com engenheiro responsável e ART. Para sistema novo, a proteção entra no projeto fotovoltaico e homologação na Copel desde o início. Conheça também o nosso trabalho com energia solar em Maringá ou fale direto com um engenheiro pelo WhatsApp (44) 99881-5835.
Fontes e referências
- Canal Solar. Estudo compara proteção interna de inversores com DPS externo; veja os resultados (01/10/2026)
- Portal Energia Limpa. Estudo alerta para necessidade de proteção externa contra surtos em inversores solares (02/10/2026)
- Canal Solar. O surto elétrico não chega ao inversor quando há proteção externa (18/12/2025)
- Exame / Agência Brasil. Quais são os estados com maior ocorrência de raios no Brasil? (25/01/2026)
- UPE e CLAMPER. Análise da performance de inversores solares submetidos a surtos elétricos provocados por descargas atmosféricas (ICLP 2024)





